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Em 1995, quando começou a jogar handebol em Ceres (GO), Ésio Rocha dos Santos queria ser ponta e nem pensava em ter um apelido. Hoje, 14 depois, Ésio é Suicida, goleiro principal do time adulto da Força Atlética e que já faz parte da história da equipe pelos títulos conquistados e pelo espírito guerreiro em quadra. "Eu queria ser ponta, fazer gols, e viajar com o time de handebol. Mas no primeiro dia de coletivo não tinha goleiro e como eu jogava no gol no futsal me obrigaram a ficar no gol contra minha vontade", recorda. O atleta lembra que até ironizava um de seus amigos que era goleiro de handebol no colégio estadual João XXIII, em Ceres, onde estudava. "Tinha que ser muito maluco para ficar levando bolada". Mas como gostava de esportes, Ésio acabou ficando no gol para ingressar no time e começar a treinar. "De handebol eu só tinha visto jogos em dvd, das Olimpíadas. Me lembrava do estilo do goleiro da seleção brasileira na época, o Xexa, e imitava o estilo de movimentação dele. Ele jogava muito, só que ele tinha cara de bonzinho. E eu assumi minha cara de mau e o cabelo mais estiloso ", aponta. No ano seguinte, em 1996, Ésio disputou a primeira competição, a Copa Beg. "De novo fui obrigado a jogar no gol de handebol porque era o único goleiro do colégio e no futsal, onde estavam meus amigos, já tinham três goleiros inscritos", conta. O time de handebol do Colégio João XXIII foi eliminado ainda na 1ª fase da competição. Mas a atuação de Ésio, no gol, lhe rendeu um convite que determinaria seu futuro. O técnico do Colégio Imaculada Conceição (CIC), Marco Aurélio, time que havia vencido a equipe de Ésio, lhe chamou para jogar o restante da Copa Beg pelo CIC. "Aceitei o convite, comecei a treinar CIC, recebi bolsa de estudos no colégio por dois anos; fiz grandes amigos; e ainda ganhei um apelido", conta. Suicida - Apelido que até hoje o acompanha e tornou-se marca registrada. Mas por que Suicida? "Depois de levar duas boladas no rosto em um treino, eu provoquei ironicamente os meninos que não fazia diferença levar a terceira. E um deles disse: esse cara é suicida", lembra. Dias depois, na hora de comprar os uniformes para jogar a Copa Beg, os novos colegas de equipe, que ainda não conheciam Ésio, colocaram em sua camisa o nome de 'Suicida'. "Eu não gostei do apelido e nem queria vestir a camisa. Mas como já tinha comprado, tive que usar. E como nos primeiros jogos pelo Imaculada quase ninguém me conhecia, o apelido pegou. Desde então meu nome foi substituído por Suicida", diz. E Ésio, ou melhor, Suicida, ficou, de vez, no gol. Capital - De Ceres, o goleiro mudou-se para Goiânia para jogar em equipes da capital. "Defendi primeiro o Vila Nova. Depois passei pela Recreativa, CPMG, APCE, Delta, UCG, até ingressar na Força Atlética, onde estou até hoje", descreve. O atleta também teve uma experiência internacional no 'handbeach', o handebol de areia, em julho de 2005. "Joguei um torneio inglês de handbeach pelo time de Bournemouth, válido pelo circuito internacional da modalidade, no litoral da cidade de Weymouth". Mas foi pela Força Atlética que Suicida conquistou os principais títulos em sua carreira de atleta. Entre eles o de vice-campeão brasileiro de Clubes da 1ª Divisão em 2007, jogando em Goiânia. Estilo - Defendo as metas da Força Atlética, Suicida não conquistou apenas medalhas e troféus, mas, principalmente, o respeito e a confiança da comissão técnica e dos demais atletas. Do gol, ele grita o tempo todo, orientando e motivando os companheiros de linha. "Incentivo, cobro e dou bronca também.Jogo pra vencer. E se os adversários me dão espaço, subo para o ataque e até arrisco uns arremessos quando precisa", brinca. E na hora de defender, Ésio mostra que o apelido veio a calhar. Ele não tem medo das boladas e se lança contra os arremessos dos adversários. "Já me acostumei. Viro Suicida mesmo dentro de quadra. Mas depois do jogo, sou um homem de bem com a vida e cabela bagunçado", brinca. "Se fosse por minha vontade e escolha não teria me tornado goleiro nem teria esse apelido. Mas às vezes algumas pessoas especiais fazem boas escolhas por nós e essas escolhas acabam dando certo e nos proporcionando momentos e encontros inesquecíveis", completa. |
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